sexta-feira, setembro 29, 2006

cata-ventos

Escola Primária, Coruche
(foto de alexandre osório, 2006)


O meu amor é Campino
É valente até mais não!
Traz a cabeça do toiro
Na fivela do calção...

Já lá vem o meu amor,
Já lá vem a campinagem!
Vem à cabeça dos toiros
É um rapaz de coragem.

Sapato preto engraxado,
Com meia branca bordada,
O meu amor é campino
Leva os toiros para a toirada!

À tua porta, menina
Está um junqueiro mular,
Onde eu prendo o meu cavalo
Cando te vou namorar.

in José Luiz Pereira. "Aqui está Coruche".

quinta-feira, setembro 28, 2006

Estórias mundanas...

Os olhos estavam rasos de água, soluçava... a vida não lhe podia ter feito aquilo! Não tinha agora motivação, nada fazia sentido, tudo se desfez. A felicidade tinha-se ausentado e talvez de forma definitiva. Chegava o choro, a terrível dor lacinante vinda do seu mais profundo ser.
E agora? O que fazer?
Limpou as lágrimas, mirou-se no espelho.... e saiu.
A vida estava lá fora!
Foi viver!

quarta-feira, setembro 27, 2006

Pedaços de papel...



"Lenda do príncipe transformado em crocodilo"

É mais uma lenda, entre cujas figuras nos aparece também o crocodilo, contada por responsáveis velhos (Katuas). Existiu um jovem príncipe muito preguiçoso, que passava os dias sem trabalhar e a jogar o Klaleik e o pião.

Pelo meio dia, os seus irmãos voltavam para comer, depois do trabalho nas hortas e ele nunca queria sentar-se com eles à mesa. Isto repetia-se todos os dias e aconteceu assim até ele ser homem feito. Os irmãos, zangados, participaram aos pais tão estranho procedimento. Os velhotes mandaram amolgar caroços de Klaleiks e com semente de camim, colocaram-nos no fundo do prato com arroz por cima, para a refeição dele.


O príncipe infante comeu até quase esvaziar o prato e encontrou aquelas insólitas iguarias. Compreendeu logo tudo muito bem e ficou envergonhado e triste, mas nada disse. Ele tinha um pagem de nome
Mau-Berek [Lagarto], que chamou, e entregando-lhe algumas coisas para transportar.
Príncipe, para onde vamos nós sem as vossas provisões, nem a minha ração?
Cala-te, e segue-me para onde eu for; o nosso fadário é este; a felicidade é de meus irmãos.

E lá partiram, o príncipe à frente e Mau-Berek atrás. Chegados à cofluência de duas ribeiras, disse o príncipe que ia tomar banho e que ele repousasse. O escravo fixava a vista no seu senhor, que nadava continuamente indo e vindo. Reparou, atónito, que as pernas do príncipe, unidas, se tranformavam numa cauda fina como a do crocodilo, o mesmo acontecendo às mãos; só o rosto continuava a ser de gente.

Mau-Berek
assustou-se, e o príncipe disse-lhe:não tenhas medo, o nosso fadário é este. Passado pouco tempo, o escravo viu o senhor transformado em grande crocodilo malhado, vagueando repousadamente no meio da ribeira. Depois, o crocodilo ordenou ao Mau-Berek que se metesse na água e pouco a pouco transformou-se num lagarto. Ao homem a quem isto aconteceu, chamam-lhe uns, lafaek rai maran (crocodilo terra seca); outros, laku-taru, e outros, Mau-Berek.

Por cortesia, texto de Mário Simões Dias, in "Timor e as suas lendas"

Pedaços de sentimentos...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Para Meditar...

Um bom texto para sensibilizar as pessoas para a importância da pontualidade.

Certo Padre recebia um jantar de despedida pelos 25 anos de trabalho ininterrupto à frente de uma paróquia. O presidente da Câmara e membro da comunidade religiosa foi convidado para proferir um pequeno discurso, como o político estava atrasado o sacerdote decidiu proferir umas palavras:
"A primeira impressão que tive da paróquia foi com a primeira confissão que ouvi. Pensei que o bispo tinha me enviado a um lugar terrível, pois a primeira pessoa que se confessou me disse que tinha roubado um aparelho de TV, que tinha roubado dinheiro dos seus pais, também tinha roubado a firma onde trabalhava, além de ter aventuras amorosas com a esposa do chefe. Também em outras ocasiões se dedicava ao tráfico e a venda de drogas e para concluir, confessou que tinha transmitido uma doença à própria irmã. Fiquei assustadíssimo... no entretanto, fui conhecendo mais gente que em nada se parecia com aquele homem, eram pessoas responsáveis, com valores, comprometidas com sua fé e desta maneira tenho vivido os 25 anos mais maravilhosos do meu sacerdócio".
Naquele momento chega o Presidente da Câmara, e foi lhe dado a palavra à comunidade, prestando a homenagem ao padre. Pediu desculpas pelo atraso e começou o discurso dizendo: "Nunca vou esquecer do dia em que o padre chegou à nossa paróquia... Como poderia?! Tive a honra de ser o primeiro a confessar-me com ele..."

Moral da história: "NUNCA CHEGUE ATRASADO"

quinta-feira, setembro 21, 2006

Pedaços de papel.....



... com Fernando Pessoa

Se estou só, não quero estar


Se estou só, quero não estar,
Se não estou, quero estar só,
Enfim, quero sempre estar
Da maneira que não estou.

Ser feliz é ser aquele.
E aquele não é feliz,
Porque pensa dentro dele
E não dentro do que eu quis.

A gente faz o que quer
Daquilo que não é nada,
Mas falha se o não fizer,
Fica perdido na estrada



quarta-feira, setembro 20, 2006

Onde as Ruas têm nome...

Rua dos Anoques, Monsanto
(foto de anabela santiago, agosto de 2006)

terça-feira, setembro 19, 2006

Pedaços de papel.....



...com D`OR

A TI!

A ti, te dedico palavras mudas
A ti, te declaro meus sonhos perdidos
A ti, te prometo desejos insondáveis
A ti, te anuncio minha libertação!

segunda-feira, setembro 18, 2006

Pedaços de sentimentos...

Você é linda

Fonte de mel
Nuns olhos de gueixa
Kabuki máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol

A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás

Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Você é linda
Mais que demais
Você é linda, sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim

Você é forte
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir

No Abaeté, areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você
Mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer

Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Você é linda
Mais que demais
Você é linda, sim
Onda do mar, do amor
Que bateu em mim

Gosto de ver
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal

Linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim

Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Caetano Veloso

domingo, setembro 17, 2006

Estórias mundanas...

Compartilharam momentos de emoção extrema. Conspiraram sonhos e quimeras. Dividiram dores e sorrisos. Sempre juntos caminharam e sempre juntos se apoiaram; o negro de um foi complementando o branco do outro.Sempre foram vistos assim, um num só. Agora nesta encruzilhada...tudo é efémero até os soluços do choro!

sábado, setembro 16, 2006

Pedaços de papel...



... com Mário Cesariny de Vasconcelos

Ao longo da muralha que habitamos

Ao longo da muralha que habitamos,
Há palavras de vida, há palavras de morte!
Há palavras imensas que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar.
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras, gemidos,
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca,
Palavras diamantes palavras nunca escritas,
Palavras impossíveis de escrever,
Por não termos connosco cordas de violinos,
Nem todo o sangue do mundo, nem todo o amplexo do ar!
E os braços dos amantes escrevem muito alto,
Muito além do azul onde, oxidados, morrem
Palavras maternais — só sombra, só soluço,
Só espasmos, só amor, só solidão desfeita!
Entre nós e as palavras, os emparedados;
E entre nós e as palavras, o nosso dever de falar.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Fim de tarde no Vale Feitoso...

Estórias mundanas...

As palavras que nunca se dizem....

- Quando eu morrer vais chorar por mim? Perguntava ele sorridente.
- Lá estás tu com essas coisas. Respondia ela.
- Ao menos sentias a minha falta? Insistia ele.
- Era um alívio ...não tinha um chato a telefonar-me todos os dias para ir beber um copo. Ria-se ela.
Ele colocou-lhe o braço por cima e ela instintivamente fugiu (como sempre).
- Deixa-te dessas coisas e vamos embora que eu tenho pressa.
- Ok , minha stressada, sorriu ele .
Ela sentada olhava para os cds e para os livros por ele emprestados (restos de uma amizade compartilhada). Não acreditava ainda no que tinha acontecido. Assim tão de repente....tão novo diziam as pessoas....
- Claro seu tonto que vou chorar por ti, claro que minha alma vai doer e vou sentir a tua falta.
Gostava ela de lhe dizer isto mas já era tarde!!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Para Meditar...

Estórias mundanas...

Cruzavam-se todos os dias ... mas raramente os seus olhares se cruzavam. Naquele dia fixou-a (primeiro por mero acaso depois por curiosidade) e pareceu-lhe ver água nos olhos. O que seria? o que a faria verter lágrimas? preocupou-se por alguém que existindo na sua vida não participava nela. No outro dia, o mesmo olhar molhado mas sempre doce; sorriu para ela não obteve resposta mas só o olhar. Seguiu-a, o passo dela por ser tão lento torna-se suspeito, revelando uma fragilidade escondida. Param numa praça, ela senta-se e de um saco tira bocados de pão. Chegam pombos envolvendo-a....num doce quadro. Pareceu-lhe ver um sorriso no rosto dela. Quis acreditar que aquele seria um momento de felicidade.

terça-feira, setembro 12, 2006

Onde as Ruas têm nome...

Rua dos Pirolitos, Proença-a-Velha
(foto de alexandre osório, agosto 2006)

segunda-feira, setembro 11, 2006

Pedaços de papel...




... com Jorge Barros Duarte (*)

Menino de Timor

Menino de Timor, estás triste?!...
Porquê?!... - Não tenho com quem brincar!
Nem com quem!... Já nem posso falar!...
A minha terra correste e viste

Como só há silêncio e tristeza!...
Assim é na palhota que habito!...
Já nem oiço na várzea um só grito!...
Só vejo gente que chora e reza!...

Que saudade que eu tenho dos jogos
Da minha aldeia agora deserta!...
O "La'o-rai", que a memória esperta,
Co'as pocinhas na terra, ora a fogos

Mil sujeita!... O "caleic" também era
jogo apreciado da pequenada:
"Hana-caleic"!... de tudo já nada
Resta agora!... Só vejo essa fera

De garra adunca e dente aguçado
A rugir tão feroz que ninguém
A doma já, pois tem medo não tem
De um povo à fome, sem horta ou gado!...

Menino, sou, mas sofro já tanto
Como se fora de muita idade
E co'a alma cheia só de maldade!...
Jesus, tem pena deste meu pranto!...

Jesus Menino, dá-me alegria!...
Se na minha terra é tudo tão triste!...
Gente tão má neste mundo existe?!...
Coisas assim tão ruins?!... Não sabia!...


(*) Poeta timorense

domingo, setembro 10, 2006

Fim de tarde atlântico...
















( foto de francisco castro, setembro 2006)

Pedaços de papel.....



















V.M.

sábado, setembro 09, 2006

Estórias mundanas...

LADO ERRADO DA NOITE
de
JORGE PALMA



Santa Apolónia arrotava magotes de gente
do seu pobre ventre inchado, sujo e decadente
quando Amélia desceu da carruagem dura e pegajosa
com o coração danificado e a cabeça em polvorosa
na mala o frasco de 'Bien-Etre' mal vedado
e o caderno dos desabafos todo ensopado
Amélia apresentava todos os sintomas de quem se dirige
ao lado errado da noite

Para trás ficaram uma mãe chorosa e o pai embriagado
o pequeno poço dos desejos todo envenenado
a nódoa do bagaço naquela farda republicana
que a queria levar pra cama todos os fins de semana
e o distinto patrão daquela maldita fundição
a quem era muito mais difícil dizer não
Amélia transportava todas as visões de quem se dirige
ao lado errado da noite

Amélia encontrou Toni numa velha leitaria
entre as bolas de Berlim com creme e o sol que arrefecia
ele falou-lhe de um presente bom e de um futuro emocionante
e escondeu-lhe tudo o que pudesse parecer decepcionante
mais tarde, no quarto de pensão, chamou-lhe sua mulher
seria ele a orientar o negócio de aluguer
Toni tinha todas as qualidades pra ser um rei
no lado errado da noite

Jonas está agarrado ao seu saxofone
a namorada deu-lhe com os pés pelo telefone
e ele encontrou inspiração numa notícia de jornal
acerca de uma mulher que foi levada a tribunal
por ter assassinado uma criança recém nascida
o juiz era um homem que prezava muito a vida
e a pena foi agravada por tudo se ter passado
no lado errado da noite

sexta-feira, setembro 08, 2006

O pensamento do dia

quinta-feira, setembro 07, 2006

Para Meditar...

Assustador e impressionante a confirmarem-se estas investigações:

O que se passa no cérebro das pessoas num estado vegetativo persistente? Será que conseguem sentir a presença dos familiares e amigos, será que percebem o que se passa à sua volta, embora pareçam ausentes? Esta dúvida faz sofrer muitas pessoas, e está na base de obras de ficção comoventes, como o filme “Fala com ela”, de Pedro Almodóvar. Cientistas britânicos e belgas tentaram perceber o que se passava no cérebro de uma mulher de 23 anos que estava num estado vegetativo há cinco meses, e tiveram uma grande surpresa: quando lhe pediram para imaginar que jogava ténis, activaram-se as mesmas áreas do cérebro usadas por voluntários saudáveis para imaginar o mesmo.
“O estado vegetativo é uma das condições menos compreendidas e eticamente mais complicadas da medicina moderna”, escreve a equipa de Adrian Owen, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, num artigo publicado amanhã na revista “Science”. “Este termo descreve uma desordem que afecta os pacientes que saem de coma: parecem acordados, mas sem captarem o que os rodeia.” No entanto, estudos que usaram técnicas que permitem observar o cérebro em funcionamento mostraram que podem existir “ilhas de função cerebral preservadas numa pequena percentagem de doentes”, escrevem os autores, para explicar por que tentaram esta experiência.“Apesar de o diagnóstico depender de não existirem provas de comportamentos propositados para responder a estímulos externos”, a equipa tentou medir as eventuais respostas da doente — que preenchia todos os critérios para se considerar que estava num estado vegetativo, apesar de ter preservados os ciclos de sono e vigília —, interpelando-a directamente. Para isso, os cientistas usaram um exame denominado ressonância magnética funcional, através do qual se pode ver quais as áreas do cérebro activadas para responder a uma determinada situação, medindo alterações nos níveis de circulação sanguínea.“Este café tinha leite e açúcar”Primeiro, mediram-se as respostas neuronais da paciente a frases simples, como “este café tinha leite e açúcar.” Depois, viram como reagia a barulhos sem sentido e frases em que se usavam palavras homófonas, em que era preciso distinguir o significado das palavras para compreender o que tinha sido dito. Os padrões de actividade cerebral da paciente foram comparados com o que se passava no cérebro de pessoas saudáveis expostas aos mesmos estímulos e surgiu a primeira surpresa: “Foi observada actividade relacionada com o processamento da fala (...) equivalente à dos voluntários saudáveis.” Mas, apesar de impressionantes, estes resultados não permitiam tirar conclusões inequívocas: “Muitos estudos de aprendizagem implícita, bem como durante a anestesia e o sono, demonstraram que algumas funções cognitivas, como a percepção da fala e o processamento semântico, podem continuar na ausência de consciência.” Por isso, os cientistas fizeram uma segunda experiência.Desta feita, pediram à paciente que imaginasse que estava a jogar ténis, e a passar por todas as divisões da sua casa, começando pela porta da frente. Mais uma vez, os seus padrões de actividade cerebral assemelharam-se aos dos voluntários saudáveis, e mantiveram-se durante cerca de 30 segundos. “Estes resultados confirmam que, apesar de preencher os critérios clínicos para o diagnóstico de estado vegetativo, esta paciente retém a capacidade de compreender comandos falados e responder-lhes, através da actividade cerebral, se bem que não através da fala ou de movimentos”, escrevem os cientistas. Além disso, o facto de ela ter decidido colaborar com os cientistas mostra “um acto claramente intencional, o que confirma para além de qualquer dúvida que ela estava consciente de si própria e do que a rodeava.”Convém, no entanto, não tirar grandes conclusões deste estudo. Generalizar a partir de um só caso é demasiado, sublinha o especialista em imagens neurológicas Lionel Nacchache, num comentário publicado na “Science”. Mas, pelo menos, sugere um método para tentar descobrir quais os pacientes que, apesar de parecerem não comunicativos, podem ter capacidades cognitivas residuais — e dar-lhes meios para “comunicarem os seus pensamentos, modulando a sua actividade neuronal”, escreve a equipa de Owen".

Por cortesia "jornal o público"

Onde as Ruas têm nome...


Rua do Borralho, Coruche
(foto anabela santiago, agosto de 2006)

quarta-feira, setembro 06, 2006

Estórias mundanas...

A professora pediu aos alunos que fizessem uma redacção e nessa redacção o que eles gostariam que Deus fizesse por eles. À noite, corrigindo as redacções, ela depara-se com uma que a deixa muito emocionada. O marido, nesse momento, acaba de entrar, vê-a a chorar e diz: "O que aconteceu?" Ela respondeu: "Lê". Era a redacção de um menino. "Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me num televisor. Quero ocupar o seu lugar. Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim e reunir minha família ao redor. Ser levado a sério quando falo. Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem com questões. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado. E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me. E ainda que meus irmãos "briguem" para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixe tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, que eu possa divertir a todos. Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisor! "Naquele momento, o marido da professora disse: "Meu Deus, coitado desse menino. Nossa, que coisa esses pais". E ela olha e diz: "Essa redacção é do nosso filho".

terça-feira, setembro 05, 2006

Para descontrair....

PLANO SECRETO PARA VIABILIZAR O ESTADO PORTUGUÊS

Passo 1:
Trocamos a Madeira pela Galiza.
Têm que levar o Alberto João!

Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro
gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário).
A indústria têxtil portuguesa é revitalizada.
Espanha fica encurralada pelos bascos e Alberto João.

Passo 3:
Desesperados, os espanhóis tentam devolver a Madeira (e Alberto João).
A malta não aceita.

Passo 4:
Oferecem também o País Basco.
A malta mantém-se firme e não aceita.

Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência.
Cada vez mais desesperados, os espanhóis oferecem-nos a Madeira, País Basco
e Catalunha.
A contrapartida é termos que ficar com o Alberto João e os etarras.
A malta arma-se em difícil, mas aceita.

Passo 6:
Dá-se a independência ao País Basco.
A contrapartida é eles ficarem com o Alberto João.
A malta da ETA pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar.
Sem o Alberto João a Madeira torna-se um paraíso.
A Catalunha não causa problemas.

Passo 7:
Afinal, a ETA não aguenta com o Alberto João, que, entretanto, assume o
poder.
O País Basco pede para se tornar território português.
A malta aceita, apesar de estar lá o Alberto João (não há problema - ver
passo seguinte).

Passo 8:
No País Basco não há Carnaval.
Alberto João emigra para o Brasil...

Passo 9:
Governo brasileiro pede para Brasil voltar a ser território português.
A malta aceita e manda o Alberto João para a Madeira.

Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses (e apesar do Alberto
João),
Portugal torna-se campeão do mundo de futebol! Alberto João, enfraquecido
pelos festejos do Carnaval na Madeira e no Brasil, não aguenta a emoção e
sucumbe.

Passo 11:
Todos vivem felizes para sempre.

A tradição em Monsanto

segunda-feira, setembro 04, 2006

escritor Naguib Mahfouz, deixou a literatura mais pobre

O escritor Naguib Mahfouz, Prémio Nobel da Literatura em 1988, morreu, na passada quarta-feira, aos 94 anos, na sequência de uma insuficiência renal, de uma pneumonia e problemas ligados à sua idade avançada, no Hospital da Polícia de Al Aguza, no Cairo, onde se encontrava internado desde o dia 18 de Julho.Cerca de mil pessoas assistiram ao funeral religioso do escritor, na presença da viúva deste e dos seus dois filhos, para além de Hosni Mubarak, o presidente egípcio e de Mohammed Sayyed Tantawi, a mais alta autoridade religiosa do Egípto.Tantawi salientou, durante a homenagem, que “Naguib Mahfouz fez reconhecer a literatura egípcia e árabe no mundo”.Naguib Mahfouz era considerado pela crítica o maior cronista do Egipto da actualidade, tendo sido o único escritor de língua árabe premiado com o Nobel da Literatura,O mais novo de sete filhos de um funcionário público, Mahfouz, nascido a 11 de Dezembro de 1911, casado e pai de duas filhas, adquiriu um profundo conhecimento da literatura medieval e arábica durante o bacharelato. Quando frequentava a Universidade Rei Faruk I (a actual Universidade do Cairo), onde estudou Filosofia, começou a escrever artigos para revistas especializadas, como Al-Mayal, Al-Yadid e Ar-Risala.Em 1932, para aperfeiçoar o domínio da língua inglesa, traduziu para árabe a obra de James Baikie sobre o Egipto antigo.Terminados os estudos, começou a escrever ficção e publicou bastantes contos nos anos seguintes. Em 1938, lançou uma colectânea intitulada «Whisper of Madness» (Sussurro de Loucura)”.Entre 1939 e 1954, enquanto trabalhava no Ministério de Assuntos Religiosos, publicou três volumes de uma projectada série de 40 novelas históricas passadas no período faraónico.Posteriormente, abandonou esse projecto e dedicou-se a escrever sobre temas sociais, ao mesmo tempo que elaborava vários guiões para cinema. A esta fase pertence, por exemplo, o filme «Bidayah wa-Nihayah» (O Princípio e o Fim)”, que contou com a participação do jovem Omar Sharif.Naguib Mahfouz é considerado um dos escritores árabes contemporâneos mais inovadores, sendo o tema central das suas novelas o homem e a sua impotência para lutar contra o destino e certas convenções sociais.Em 1947, lançou o romance «A Viela de Midaq», que se tornou uma das suas obras mais famosas, passada para o grande ecrã pelo realizador mexicano Jorge Fons, que a situou no México actual e com a qual ganhou o Prémio Goya para o Melhor Filme Estrangeiro de Língua Espanhola em 1996.No clima de mudança política que se seguiu à queda da monarquia egípcia, em 1952, a sua «Trilogia do Cairo» (1956-1957) obteve um grande êxito. A obra é inspirada na sua biografia e narra a história de uma família humilde durante o período entre 1917 e 1944 no Egipto.Apelidado como «Balzac do Egipto», fez, ao longo da sua carreira, experiências com a técnica narrativa e, em especial, com o monólogo e a literatura do absurdo, numa produção que inclui cerca de 40 novelas e colecções de contos, na maioria traduzidos em inglês e francês.Mahfouz foi também um escritor politicamente comprometido, tendo manifestado apoio incondicional ao tratado de paz entre o Egipto e Israel em 1978, o que lhe custou a inclusão nas listas negras de vários países árabes.No final da década de 80, o líder islâmico radical Omar Abdel Rahman, actualmente na prisão pelo atentado às Torres Gémeas de Nova Iorque em 1993, condenou-o à morte pelo seu mais famoso romance, «Children of Gebelaawi» (Filhos do Nosso Bairro). Esta obra, que lhe valeu o reconhecimento mundial, está, paradoxalmente, proibida no Egipto, desde a publicação em 1959 de vários fragmentos num jornal diário do país.Mahfouz foi, além disso, alvo de vários atentados. Em 1994, foi apunhalado no pescoço por um fundamentalista e dois anos mais tarde foi classificado como herege e sentenciado à morte por grupos islâmicos radicais. Desde então, permaneceu praticamente em reclusão domiciliária, com saídas esporádicas e controladas pela polícia.Em 1988, a Academia Sueca galardoou-o com o Prémio Nobel da Literatura, por “ter elaborado uma arte novelística árabe com validade universal”. Conta ainda, entre outros, com o Prémio da Academia da Língua Árabe e o Prémio Egípcio da Literatura. Candidato ao Prémio Príncipe das Astúrias em 2000, deu o seu nome a um prémio de tradução promovido pelo Instituto Cervantes.Há três anos, foi hospitalizado depois de sofrer uma repentina crise cardíaca. A sua saúde começou a deteriorar-se em 1994, após o esfaqueamento, que lhe causou graves danos na visão e audição, bem como uma paralisia do braço direito.

por cortesia de O Primeiro de Janeiro (4.09.2006)

domingo, setembro 03, 2006

Onde as Ruas têm nome...

Rua do Saco, Monfortinho
(foto alexandre osório, agosto de 2006)


sábado, setembro 02, 2006

Pedaços de sentimento...














ADEUS NINI!

Hoje o Zarabutana ficou mais pobre!!
...perdeu uma zarabutana felina...

sexta-feira, setembro 01, 2006

Ponto Final.























Independentemente das razões, o semanário deixa algumas saudades. Recordo-me dos primeiros anos de existência. Foram tempos bem passados! Quando se esperava mais presença não aguentou a responsabilidade de atingir a maioridade. Aos dezoito anos colocou um ponto final. Os tempos também são outros.
Por cortesia, Semanário O Independente, 1 de setembro de 2006

Onde as Ruas têm nome...

Monsanto
(foto anabela santiago, agosto 2006)

Para Meditar...

Desculpem-me, mas afinal que raio quer dizer que Portugal é um estado de direito? Domingo morreu uma mulher de 44 anos, em Nelas. Razão? Violência doméstica, ao que parece. A senhora não foi apanhada à má fé num esconso qualquer desse país para ser assaltada, agredida ou violada. Ela não precisou de sair de casa, do seu "lar", para ser barbaramente agredida e assassinada. Aliás, precisou e muito: há registos de denúncia de violência doméstica por parte desta mulher desde 2003, segundo o comandante da GNR; na madrugada desse dia os vizinhos chamaram a GNR que a levou ao hospital para receber tratamento médico. Ao meio-dia teve alta, às 17h estava morta.
Espero que os tribunais não venham agora dizer que a senhora não morreu da mão que a agrediu ou que a empurrou, mas dos hematomas ou de ter caído mal para o lado ou por não saber karate.


Por cortesia in " http://ferro-espeto.blogspot.com/"
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