quinta-feira, novembro 30, 2006

Pensamento do dia

"Quem tem confiança em si próprio comanda os outros"

"Horácio"

terça-feira, novembro 28, 2006

Contratempos

(photo taken by anabela santiago, 2006)

Pedaços de Sentimentos...

Pedaços de papel.....



...com D`OR


Escuro como breu
agita-se o mar
tumultuoso
instável
oprimido!
As estrelas brilham (mas não para ele)
sobressai uma espuma negra
carregada e dorida.
Navega no meio da imensidão da água
frágil, inseguro...
mas
de lá do fundo
das entranhas
juntamente com a dor
sai uma força inesgotável
um grito lacinante
que
rasga
e
divide
o
mundo em dois...
nada fica como dantes....

segunda-feira, novembro 27, 2006

Pedaços de papel...


...com Vinicius de Moraes

A brusca poesia da mulher amada

A Nelita

Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido
herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a
bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco
quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as
confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos
ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!


in "Poesia completa e prosa: "Poesia varia""

domingo, novembro 26, 2006

Pedaços de Sentimentos...

Adeus e Obrigado

Voz numa pedra

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal


Mário Cesariny

sexta-feira, novembro 24, 2006

Para ouvir...e... meditar....

Pedaços de papel.....



... com Chico Buarque


Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto...

SOLIDÃO é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma!

terça-feira, novembro 21, 2006

Pedaços de papel...



O Galo Tião
e a Vaca Malhada



(por cortesia do Domínio Público)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Onde as Ruas têm nome...


Rua dos Pissarinhos, Monfortinho, Portugal
(foto anabela santiago, 2006)

Pensamento do dia

"Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes. "

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, novembro 15, 2006

Momentos de Felicidade...

Há dias que vale a pena viver!

Pedaços de papel...



... com Alberto Caeiro


Falas de civilização
...

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Estórias mundanas...

Completamente angustiado chegou a casa, nada tinha sentido. A vida não lhe dizia nada...nada era tudo para ele. Desamparado percorreu a agenda do telemóvel e não encontrou ninguém. Ao fundo ouvia uma música....que o puxava para a vida...

terça-feira, novembro 14, 2006

Para descontrair....

Fantástico momento de televisão!

Contratempos no Talasnal

Pensamento do dia

A verdadeira bondade do Homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com com aqueles que não representam força nenhuma. O verdadeiro teste moral da humanidade são as suas relações com quem se encontra à sua mercê: isto é, com os animais. E foi aí que se deu o maior fracasso do Homem, o desaire fundamental que está na origem de todos os outros.

"Milan Kundera in insustentável leveza do ser"

segunda-feira, novembro 13, 2006

Para Meditar...

- Pois é Zé (tu és mais velho e poderás dizer melhor que eu), antes não podiamos ter esta conversa.

- Sim Chico, antes não podiamos falar, agora podemos mas ninguém nos ouve.

Fim de tarde de Outono na Cabana

domingo, novembro 12, 2006

Para descontrair....

Em visita a uma escola de Coimbra, um aluno perguntou ao ministro da saúde que tipo de relacionamento existia no governo entre os vários ministros; concretamente em relação à ministra da educação. Resposta do Ministro: é uma excelente ministra, excelentemente coadjuvada por um senhor secretário de estado que quando novo e trabalhador da câmara faltava muito, mas desde que está no governo está muito mais inteligente e tem apresentado propostas que ultrapassam o âmbito da educação; uma das medidas vai ser aproveitada pelo nosso ministério e, com ela, posso afirmar que as listas de espera vão desaparecer dentro de pouco tempo. Assim, sempre que um cirurgião cardiologista falte ou, não faltando, tenha vários doentes para operar com o mesmo tipo de doença ou anomalia, faz o plano da operação e qualquer colega, seja dentista, médico de família, ortopedista, calista, oftamologista, esteticista ou outro, mesmo o enfermeiro chefe ou o capelão do hospital, fará a operação seguindo à risca o plano do cirurgião... e rematou: " Como é que não nos tinhamos lembrado duma coisa tão simples antes?".

Para Meditar...

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro "Família e Escola: um espaço de convivência", dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas. "As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater. "As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa", sublinhou. Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores. No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, "são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa. "O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar", sublinha. Há professores que são "vítimas nas mãos dos alunos". Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que "ao pagar uma escola" deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão "psicologicamente esgotados" e que se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos". A liberdade, afirma, "exige uma componente de disciplina" que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade. "A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, "uma oportunidade e um privilégio". "Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina", frisa Fernando Savater. Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos". "Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia", afirmou. Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que "mais vale dar uma palmada, no momento certo" do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

"por cortesia agência lusa"

sábado, novembro 11, 2006

Onde as Ruas têm nome...


Rua da Peça, penha garcia, castelo branco
(foto de alexandre osório, 2006)

sexta-feira, novembro 10, 2006

Para Meditar...

A tribo masai, do Quénia, reclama uma "acção urgente" para lutar contra as alterações climáticas, apresentado-se como "as primeiras vítimas" deste fenómeno, embora contribua pouco ou nada para o aquecimento global.
"O meu povo não anda de 4x4, não vai de fim-de-semana, não parte de férias de avião, mas sente os efeitos das alterações climáticas", lamentou Sharon Looremetta, um masai membro de uma organização não-governamental, numa conferência de imprensa realizada à margem do encontro das Nações Unidas sobre o clima, que decorre entre os dias 6 e 17 de Novembro, em Nairobi, a capital do Quénia."É uma injustiça enorme e apelamos a uma acção urgente", salientou.Os masai, uma tribo que se distribui essencialmente pelo Quénia e pela vizinha Tanzânia, "são os primeiros e os mais atingidos pelas alterações climáticas", provocadas essencialmente pelas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) relacionadas com a combustão de energias fósseis, como o carvão e o petróleo, afirmou."Tivemos muito pouca chuva nos últimos três anos, os animais morrem, as crianças não vão à escola, as mulheres passam a maior parte do tempo à procura de água e não ocupadas com as actividades que permitem ganhar a vida", acrescentou Looremettta.Segundo explicou, as crianças têm abandonado a escola porque "têm de andar muito à procura de água e de pasto" para os animais que são o seu principal recurso.No sábado, agricultores e pastores, entre os quais os masai, participarão numa marcha organizada na capital queniana contra as alterações climáticas.~
"por cortesia in jornal público"

Pensamento do dia

por cortesia: Politica. TSF

quarta-feira, novembro 08, 2006

Pedaços de papel.....



...com Carlos Drummond de Andrade

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

contratempos


(foto de alexandre osório, 2006)

terça-feira, novembro 07, 2006

Pedaços de papel...



... com Júlio Pomar

"No atelier faço e refaço — por vezes sem sequer me dar ao trabalho de desfazer. Não só para fazer melhor, mas também por necessidade de destruir, de remastigar uma dada experiência que não me matou a fome. Para investir, agredir, questionar, estar dentro do jogo, para encontrar a minha imagem na verónica que o instante, como um toureiro colhe. Não para viver em memória, mas para, fazendo, aguentar o presente.
Estaria eu a estender a minha pintura de uma ponta à outra da tela sem me interrogar?
O meu trabalho não consiste em acrescentar, dia após dia. Não segue um esquema pré-estabelecido, como o que serve para a construção de uma casa: as paredes depois das fundações, o tecto depois das paredes. O meu trabalho alimenta-se daquilo que despedaça. Depois de ter engolido os filhos, Saturno rói as unhas e depois o coto.
Procedo por destruições sucessivas. Rasuro. E estou em crer que a rasura dá o (não) sentido à frase, dá o nervo à forma, dá a vertigem ao espaço."

in Da cegueira dos pintores

segunda-feira, novembro 06, 2006

Fronteiras


Região de Lafões, Portugal
(foto de alexandre osório, 2006)

quarta-feira, novembro 01, 2006

Pensamento do dia

“Abre os braços à mudança, mas não percas os teus valores.”
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